segunda-feira, outubro 09, 2006

Acerto de contas

Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Assim, pois cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” Romanos 14:10,12

Assisti ao filme “Torres Gêmeas” onde conta-se a história real de dois dos apenas vinte sobreviventes ao desabamento do World Trade Center no atentado de 11 de setembro. Eles eram policiais portuários que foram deslocados de suas áreas de trabalho para auxiliarem no resgate e na ajuda aos feridos. Eles então ficam presos embaixo de toneladas de entulho após o desmoronamento do prédio onde estavam. O filme vai desenrolando e mostra as terríveis horas que eles passaram soterrados aguardando o resgate. Naquele momento de angústia, eles puderam refletir sobre suas vidas: um deles percebeu suas falhas como marido e de como estava tratando com frieza a sua esposa. O outro, escreveu um bilhete de amor à sua esposa e lamentou o fato de, talvez, não poder conhecer seu futuro filho. Em um dado momento de medo eles oram o “Pai Nosso” e um deles chega a ter uma visão onde aparece o próprio Jesus. À beira da morte eles estavam fazendo um acerto de contas com as suas próprias consciências.

Depois do filme, me coloquei no lugar deles e me fiz essa pergunta: se eu soubesse que morreria daqui a poucas horas, o que eu mudaria na minha vida agora? Vários pensamentos e situações pipocaram na minha mente deixando a certeza que eu mesmo não aprovo muito dos meus hábitos e atitudes. Desvalorizei muita coisa que valorizo e, quase que inversamente proporcional, valorizei pessoas, sentimentos e comportamentos que costumo desprezar no meu cotidiano. Tentei fazer um acerto de contas comigo mesmo, reforçando para a minha mente teimosa e carnal que “o mais importante é ter o mais importante como a coisa mais importante”.

Ainda criança, cheguei a orar pedindo a Deus para que Ele demorasse a voltar. Queria que Ele voltasse quando eu já fosse um adulto imaginando que o tempo poderia me preparar para estar diante Dele. Mas descobri que o tempo é neutro. Ele pode ser usado tanto por Deus como pelo Diabo. Tanto para nos aproximar como para nos afastar. Como alguém poderá apresentar-se a Deus confiadamente? “Se observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá?” (Sl 130:3). E ainda: “Se dissermos que não temos cometido pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos” (I Jo 1:8). Para mim a pergunta que será feita não é se fomos perfeitos mas se fomos obedientes. Paulo diz: “Porque se julgássemos a nós mesmos, não seriamos julgados.” (I Co 11:31). Deus nos dá a responsabilidade de avaliarmos nossa vida. Quando sinceramente nos julgamos, o Espírito Santo encontra um caminho para falar ao nosso coração trazendo ensino, repreensão e arrependimento. Quando obedecemos ao Seu comando, nossa comunhão aumenta dissipando os nossos temores.

Hoje, tenho um pensamento completamente diferente a respeito do tribunal de Cristo. O propósito do tribunal não é de trazer castigo, humilhação mas sim trazer à tona a opinião de Cristo sobre as nossas vidas. A pergunta então é: por que não saber o que Ele pensa hoje? Por que esperar até aquele dia? A falta de comunhão com o Espírito Santo impede que tenhamos uma boa consciência e nos faz naufragar na fé (I Tm 1:19). Assim como aconteceu com Adão, o pecado nos leva a ter medo de Deus e a nos esconder da Sua presença (Gn 3:10). Porém, um dia, querendo ou não, teremos uma audiência diante do Rei dos Reis.

Não quero esperar cair um prédio sobre a minha cabeça para refletir sobre os meus atos. Pelo contrário, quero cultivar o hábito de considerar as minhas atitudes e intenções à luz da Palavra de Deus. Quero viver cada dia como se fosse o último dia que eu tenho para fazer o acerto de contas diante de Deus. Sei que em algum momento, vou acertar o dia.


“E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranqüilizaremos o nosso coração; pois se o nosso coração nos acusar, certamente Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as cousas. Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus;” I João 3:20,21